Fui atrás dele como um cão à procura da caça: perseguindo aromas perdidos na escuridão gélida da noite de inverno, texturas ao redor da boca me queimavam!
Depois de muito procurar, meu peito arfante denunciava a sí próprio: eu o encontrara!
Cheguei à porta da casa por volta de uma da manhã.
Entrei em silêncio e assim ele permaneceu também. O único som que ouvíamos, era das mãos dele servindo-me uma taça de vinho e mexendo vagarosamente as pedras de gelo do seu copo de whisky.
Sempre o admirara sem saber os porquês! Perdida naquele laço de amizade estreito por tantos encontros, eu o desconhecia em verdades.
Sem palavras, sem medidas, viera à mim: seduzira-me, beijara-me, tivera-me!
Minha mente presenteara-me com a plena diferença entre ele e meu marido: Sentira- o sobre mim como possuidor absoluto e claramente obsceno sobre tudo do meu ser! Mandava e comandava-me os desejos, possuía-me as vontades!
Dentre aquelas paredes do minúsculo apartamento, sentia-me a realizar finalmente o corpo como mulher, como amante!
Que nada disso venha mais tarde a servir-me de castigo a um passo que sempre tive asco da hipocrisia destes pensamentos de que nada era planejado! Aprendi enquanto lia em teus olhos tamanho desejo e comando em cada movimento meu enquanto tornava-me dele novamente e descobria que o adorava como uma divindade!
E dava a ele o meu melhor! Meu tudo! Como jamais fizera a nenhum outro, a um passo que casei-me cedo, por obrigações e imposições de meu pai e lágrimas típicas de mãe.
Infelizmente o passar das horas vinha a impedir-me de ser feliz, e quando todo o meu êxtase cedera espaço a calmaria, notei-lhe o corpo trêmulo, a boca completamente seca e seu corpo finalmente adormecido.
E assim deixei-o finalmente: Sem querer, sem desejar e rumando ao meu castelo sem nenhum conto de fadas ou felicidade, adentrei a noite fria sozinha, mais uma vez.
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